Mad Father é um jogo de horror cuja história é centrada em Aya Drevis,
uma garota que vive com seu pai (Dr. Alfred) em uma mansão, após a morte
de sua mãe. Alfred passa a maior parte do tempo fazendo experimentos em
seu laboratório, até que cadáveres passam a assombrar a casa, e Aya
precisa descobrir a verdade e salvar seu pai. O jogo foi adaptado em um
light novel, publicado pela PHP, em 2015.
Ahh Mad Father <3
Um jogo que me apaixonei desde que vi sua primeira gameplay.
Por ter uma história tão envolvente e apaixonante vários fãs da "saga" decidiram fazer as famosas "fics". Então eu fiz algo diferente ( provavelmente alguem ja tinha o feito ou você pode ter visto algo identico ou similar em outro lugar ) transformei esse lindo jogo em uma narrativa fiel a história do ponto de vista de nossa pequena Aya.
divirtam-se.
another confused mind
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
sexta-feira, 14 de agosto de 2015
Capítulo 4 Collina
fui para os corredores ver o que aconteceu, já estava com um mal pressentimento, e tinha razão pra estar. zumbis por toda parte. Logo em seguir, encontro um zumbi-louro-falante. (WTF) Quando resolvo fugir dele, dou de cara com os mesmo zumbis, e então entro em meu quarto. O que me encarava então, era um estranho vendedor de olhos vermelhos, que estava querendo que eu não tentasse salvar o meu próprio pai.
– Papai sempre foi gentil comigo. Ele é o único pai que eu tenho. E eu prometi a mamãe, também. -Um turbilhão de lembranças invadiu a minha cabeça. Me lembro exatamente das palavras de minha mãe...-
Flashback ON
Eu estava deitada em minha cama, junto com Bola de Neve, ouvindo mais uma das histórias que minha mãe me conta para me fazer dormir. Mas não era na história que eu estava pensando. Não era mesmo. Meus pensamentos estavam longe disso.
– "O estranho de olhos vermelhos deu a Jack o poder de amaldiçoar os outros. E Jack disse :Obrigado, estranho de olhos vermelhos. Agora eu posso ter a minha vingança." -Eu estava esperando minha mãe acabar de ler o parágrafo do livro, para logo depois, interrompe-la com mais uma de minhas perguntas.-
– Hey, mamãe... -Eu não sabia direito se deveria perguntar aquilo. Havia insegurança em meu tom de voz e em minha pronuncia imperfeita.-
– Sim, Aya ? -Ela sempre me respondia se hesitar. Eu finalmente criei a coragem que precisava para finalmente perguntá-la.-
– Porque o papai está sempre lá embaixo ? -Eu me questionava a mesma coisa sempre. Porém, nunca perguntei a minha mãe. Tinha medo da resposta. Perguntar ao meu pai, nem pensar!-
– É um trabalho muito difícil... Você vai entender quando for mais velha, Aya.
– Então eu quero ser mais velha logo, então... -Ela não me deu o tipo de resposta que eu esperava, mas acho que se ela não me disse, é porque eu não entenderia.-
Ela voltou prestar atenção no livro. Mas ao invés de ler, quem falou agora, foi ela.
– Aya... Não importa o que aconteça, você não deve odiar o seu pai.
– Mamãe... Qual é o problema? É óbvio que eu nunca vou odiar o meu pai. -Até então, eu não via motivos para odiar meu pai. Eu amava meu pai e minha mãe mais do que tudo no mundo.-
– ... Eu vejo...
– Mamãe, você não gosta do papai ?
– Não... nada como isso. -Ela estava com um sorriso de lado. Acho que ela não odeia meu pai. Parece achar graça quando eu cogito essa hipótese. Mas até que é idiotice minha. Minha mãe ama meu pai, assim como ele a ama.- Eu sou igual a você, Aya. Eu amo muito o seu pai.
– Whew... -Suspirei. Eu não sei mesmo o que passou pela minha cabeça pra desconfiar do amor que minha mãe tem pelo meu pai.-
– Ele pode ser um pouco... imprevisível. Mas vamos suportá-lo não importa o que aconteça. -Eu sorri para ela, e recebi um sorriso de volta.- Agora, de volta para a história...
Flashback OFF
Mamãe... Não importa o que aconteça, eu amo o meu pai. Então não se preocupe. -Eu sorri para o chão. Como meu pai disse, minha mãe está sempre cuidando de mim. Então eu quero que ela me veja sorrindo, não importa o que aconteça.- Eu tenho que salvar o meu pai.
Quando eu me afastei da porta do quarto de minha mãe, um corvo de olhos vermelhos pousou em uma pequena mesa que havia no corredor. Eu fiz um carinho nele. Ele parece amigável. Me pergunto por qual das janelas ele entrou. Mas, isso realmente não importa agora. Eu tenho que ir salvar o meu pai. Minha jornada começa a partir daqui!
Localização: Quarto de Monika Drevis
Eu entrei no quarto de minha mãe, devagar. Não sabia o que estava lá. Finalmente entrei, e resolvi deixar a porta um pouco aberta. Caso eu precise. Porém, isso facilitará o ~trabalho~ que os zumbis terão para me encontrar... Eu vi alguém perto da janela. Uma mulher com um longo vestido. Ensanguentado, porém isso não estragou nem um pouco a beleza daquela vestimenta. Eu me aproximei devagar. Ela se virou pra mim. Parecia ser uma zumbi também. Ou melhor ainda, ela era uma zumbi.
– ME DÊ! ME DÊ ELA DE VOLTA! DÊ! MINHA FILHA!! -A mulher estava cheia de sangue, com a pele em um tom azulado. Estava gritando. Parecia estar com raiva. Com ódio.-
Eu apenas negativei com a cabeça e sai correndo do quarto. Porém, eu sai correndo em uma velocidade tão grande, que quando saí, bati na parede da frente. Esse é o ruim dos corredores... São muito estreitos... Eu acho que vou ir até o lugar onde aquele menino louro estava. Ele não me parecia tão zumbi assim, se não fosse pela metade deformada seu rosto. E ele parecia que queria me ajudar, só não consigo entender porque... Se ele não for um zumbi, me arrependo amargamente de não ter ido junto com ele. Quando eu finalmente preciso de ajuda, eu saio correndo de quem pode me ajudar.Você é uma genia, Aya. UMA GENIA! Mas que droga de consciência!
Localização: Sótão
Eu passei pelo corredor onde aquele garoto estava, há alguns minutos atrás. Não havia ninguém, e ainda bem. Eu entrei no sótão, já que era o que estava mais perto de mim. Pude ouvir algo rangendo do lado de cima do sótão, mas pra chegar lá, eu precisava subir a escada. E havia um pedaço faltando... Porque nada aqui é fácil como nas histórias ? Afinal, todas as histórias tem um final feliz, e eu espero que esta também tenha.
Localização: Quarto de Monika Drevis
Eu resolvi voltar ao quarto de minha mãe. Aquela mulher estranha não estava mais lá, graças aos céus! Havia uma poça de sangue no lugar onde ela estava, e uma chave com um bilhete pendurado. "Chave da sala de arquivos." Era o que o bilhete dizia. Estranho... Foi minha mãe quem sempre guardou essa chave, e quando ela morreu, a chave ficou perdida... Porque raios ela estava aqui ? Eu suspirei, tentando não me distrair de meu objetivo. Quando estava saindo do quarto depois de pegar a chave, eu senti uma presença, mas não via ninguém. Apenas uma voz ecoando pelo local.
– Collina...
Capítulo 3 I have to save my father.
Visão de Aya Drevis-
Eu abri a porta com cuidado. Não sabia o que tinha acontecido. Eu estava mesmo com um mal pressentimento e sinto que estava certa em estar. Um grito a meia noite. Isso nunca é bom, não é? E o fato de não ser bom, é ruim. E se é ruim, quer dizer que não é bom... Eu ouvi um som um pouco estranho ao fim do corredor. Estava chegando perto , manchas de sangue começaram a surgir do nada e então eu os vi. Eram zumbis com seus corpos despedaçados.-
Fui levada até o fim do corredor pela minha curiosidade. Quando fiz a curva para a ala da mansão que leva ao sótão, vi alguém. Um garoto louro, encostado na parede. Não sabia se ficava encantada, ou indecisa. Nunca tinha visto aquele garoto, assim como nunca tinha visto aqueles zumbis. Ele poderia ser um deles ? Não, ele é bonito demais pra isso... -Pra uma criança de dez anos, eu estou sendo bem ~interesseira~.-
– Quem é você ? -Minha vontade naquele momento era de me agarrar em algo ou alguém que parecesse ou fosse humano. Mas, isso seria muito... inadequado, eu acho. Mas quem se importa, não é ? Há zumbis no fim do corredor ali atrás, e estou aqui a frente de um suposto humano. Quem liga pra educação nessas horas ?-
– Por aqui. -Ele estava calmo. Falava com suavidade. Ele não deve saber que há monstros aqui. E se souber, deve ter algum meio de se manter protegido. E é isso o que eu quero. Quero ficar protegida. Quero que me protejam. Eu sou tão frágil que se um monstro daqueles respirar perto de mim, eu ~quebro~.-
– Quem... ? -Eu ainda insistia. Nem me importava se os zumbis estavam perto ou não. Se ele fosse capaz de me acalmar ou de me proteger (ou as duas coisas) já bastaria pra mim.-
– Fique comigo. -Ele sabe como convencer alguém. Aquilo foi o suficiente para me acalmar. Eu permaneci no mesmo lugar, apenas olhando-o e vendo de não havia nada suspeito nele.- Eu disse, por aqui. -Ele se virou completamente pra mim. Finalmente achei algo suspeito nele! Não era humano mesmo. Ele não tinha um dos olhos, e uma parte de seu rosto estava desgastada. Eu não havia percebido isso antes, já que ele estava encostado na parede e só era possível ver o seu lado direito.-
Eu corri de volta para o corredor anterior. PÉE! Uma sirene vermelha deveria aparecer na minha cabeça de tão idiota que foi essa ideia... Eu me esqueci dos zumbis... Eu consegui desviar dos zumbis e entrar no meu quarto, mas ele não estava vazio.
– Interessantes esses livros neste quarto... -Era um homem alto, de terno e chapéu. Estava de costas para mim, olhando aqueles livros que estavam em minhas estantes. Ele se virou para mim, para que eu pudesse ver que ele era humano. Ele estava com aquele livro grande e vermelho nas mãos, cheio de brilhantes. Como era mesmo o nome ? Ah, claro. "O estranho de olhos vermelhos."- Você gosta de livros, minha querida ?
– Quem é você ? -Essa pergunta nunca dá certo. Não sei porque ainda uso-a. Minha vontade era de bater a cabeça na parede, cair no chão, rolar e gritar : QUE DROGA ESTÁ ACONTECENDO AQUI ? -
– Agora, não seja tão agressiva, tudo bem ? Eu sou apenas um mero vendedor. -ISSO EXPLICA TUDO! É super normal você entrar no seu quarto quando sua mansão está sendo atacada por zumbis, e tem um vendedor no teu quarto. Nossa... -
– Vendedor... ? -Não sei se devo acreditar nele. Eu achava que poderia confiar no garoto louro lá atrás, e puft! Quando você achar que está tudo bem, desconfie. Porque se você se sente seguro, algo estará errado. O tal vendedor retirou se chapéu, e se curvou diante de mim.-
– Pode me chamar de Ogre. Eu espero chegar a conhecer você, jovem dama. -Ele tem a educação de um lorde inglês, devo admitir. Zumbis podem até saber falar, mas duvido que sejam educados.- Mas vai ser muito problemático... E pensar que há cadáveres andando lentamente pela casa toda.
– Cadáveres ? Aqueles monstros lá atrás ? -É impressionante. Eu estou mesmo conversando sobre isto com este estranho ? Quero dizer, só o fato de ter zumbis andando pela minha casa já é estranho...- Eles parecem monstros de uma história... Por que monstros assim? -Porque ainda estou fazendo perguntas ? Duvido que ele saiba de alguma coisa...-
– Bem, é uma maldição. -É. Ele SABE de alguma coisa. Parece saber de tudo. Agora que eu parei pra prestar atenção de verdade ao que ele dizia. Chegando mais perto, pude ver que este estranho tem olhos vermelhos.– O que você viu foram os cadáveres dos cobaias do seu pai. Com muita raiva, falecidos foram trazidos de volta pelo poder, de uma maldição. -Ele falava sorrindo, e com calma. Mais calmo até do que aquele louro lá atrás.- Para se vingarem de seu pai... é claro. -Ele deu uma risada quando acabou de falar. Não entendo. O que há de engraçado nisso ?-
– O que ? Então meu pai está em perigo ? Eu tenho que salvá-lo. -Eu me virei em direção a porta, mas ele começou a falar novamente. Que coisa!-
– Porque isso ? -O motivo de ele ser o meu pai não é o suficiente, caro vendedor?- Para realizar seus desejos, seu pai matou muitas pessoas com seus experimentos. Essa... é apenas a sua retribuição. -Ele falava tudo com um sorriso em seu rosto... Ah, se eu não fosse tão baixinha comparada a ele... !!- Mesmo assim, você ainda quer salvá-lo ?
Eu não disse nada, apenas respirei fundo, levantei a cabeça e fui em direção a porta. Abri a mesma, tentando me convencer que aquelas criaturas não estavam mais lá. Para a minha sorte, não estavam mesmo. Eu pude sair, e ainda fechei a porta para aquele homem não me seguir. Eu parei logo que fechei a porta, e encostei uma de minhas orelhas a porta, para ver se conseguia desvendar o que se passara na cabeça daquele vendedor.
– Meu... Meu... -Ele suspirou alto. Acho que sabia que eu estava ouvindo.- Bem, acho que ela ainda não é capaz de entender a tristeza deles. -Ele estava falando em um tom alto e claro. Então, ele sabia que eu estava ouvindo.-
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Capitulo 2 - That scream...
–Visão de Aya Drevis-
O relógio marca
meia-noite. Sinto uma tontura. Meus olhos se fecham sozinhos,
praticamente, mas eu não consigo dormir. Bela hora em que tudo dentro de
mim resolveu conspirar contra mim. Ah, como eu tenho
uma bela e maldita "sorte"... Eu vou chegar a loucura se continuar
assim. Já não conseguia dormir, e agora vem o relógio me acordar.
– É meia-noite...
-Pareço uma zumbi falando. Eu falo sozinha. Acho que isso me faz bem.
Mas eu sinto como se eu não estivesse sozinha. E como meu próprio pai me
disse, eu nunca estou sozinha.– Hoje é o dia em que a
mamãe foi para o céu... Mãe... -Eu me levanto lentamente. Eu não dormi,
então é compreensível que eu esteja assim. Não tenho disposição para me
mexer rápido. Mas, que motivos eu tenho pra isso ? Eu me sento na cama
ainda com ar de cansaço. E eu estou mesmo cansada.- Eu nunca consigo
dormir quando eu penso sobre a mamãe...
Finalmente tomei coragem
para me levantar. Eu nem tinha colocado meu pijama naquela noite. Já
era tarde e eu ainda estava lá no porão estorvando meu pai. Ainda me
lembro de suas palavras... "Agora volte para a cama, por favor. Eu vou estar descansando em breve."
Aya Drevis, sua idiota. Eu fiquei com tanto medo de ele vir aqui ver se
eu estava dormindo, que fiquei de vestido e sandália, e deitei assim
mesmo. Nem tirei a fita do meu cabelo... Está me incomodando um pouco,
mas não é nada totalmente grave... Eu caminhei em direção a um pequeno
porta-retrato de minha mãe, que ficava encima de uma pequena mesinha com
uma gaveta embaixo.
– Mamãe... -Ela era
perfeita em tudo, não era ? Cabelos castanhos, lisos e compridos, olhos
azuis como o mar e um corpo das mais belas curvas.- O que devo fazer,
mamãe? Eu amo meu pai, mas... -Eu fitei o chão. Não sabia como falar
disso para minha mãe. Tudo era mais fácil quando ela era viva...- Ela me
assusta, mãe. Ela sempre... olha pra mim com aqueles olhos... Eu odeio
ela. -Não sei como estava dizendo isso. Meu pai poderia estar ouvindo
atrás da porta, mas eu não posso esconder quando estou preocupada ou
triste. Não posso esconder de minha própria família. Não posso esconder
isso da minha mãe.- Eu odeio ela, mamãe. Mas eu sei que meu pai gosta
dela... Se meu pai e ela se casarem, acho que ela vai ser minha nova
mãe... Eu não quero que ela seja minha nova mãe. Eu não preciso de uma
nova mãe. Só tem uma mãe no mundo pra mim... -Eu voltei a olhar para o
porta-retrato.- Mamãe, porque você teve que ir ?
Eu precisava relaxar.
Fui vasculhar o meu quarto para ver se acho algo com o que me distrair.
Ao canto direito, duas cômodas grandes cheias de minhas roupas... Na
frente da janela que toma quase toda a parede, está meu urso de pelúcia
favorito. Tem o meu tamanho. Talvez, um pouco melhor. Eu sempre gostei
de coisas realistas, mas duvido achar um urso do meu tamanho e que seja
real. Eu sempre vi aqueles documentários com ursos com mais de dois
metros... Coitada de mim. Quase não tenho um metro... Ao lado do meu
urso de pelúcia preferido, encontra-se a minha amada boneca.
– Uma boneca dada pelo meu pai ... É tão velha e gasta...
Flashback ON
Meus cabelos estavam
amarrados por duas fitas da cor rosa. Eu usava meu vestido preferido. Eu
me sento a beira da cama com dificuldade. Eu ainda não tenho tamanho
para fazer isso naturalmente. Meu pai entra pela porta. Ele está animado
e com as mãos para trás do corpo. Ele vem em minha direção e se ajoelha
a minha frente.
– Eu lhe trouxe um
presente, Aya. -Ele me mostra o que tinha nas mãos. Uma boneca. Uma
linda boneca com um vestido e um capuz. Os dois da cor verde-claro. Seu
vestido contém babados brancos e brilhantes que prendiam a minha
atenção.-
– Oba! É uma boneca. -Eu
analisava com cuidado, até ter coragem de pegar a boneca em minhas
mãos. Eu virava-a, mexia em tudo, e meu pai parecia se divertir com esse
meu comportamento.- Obrigada, papai. Que boneca bonita... -Parece até
que é real. Eu me impressiono facilmente, admito.-
Flashback OFF
Nhaw... Bons tempos.
Voltando a analisar meu quarto, percebo que ainda não analisei aquelas
três estantes de livros. Quando me aproximo da segunda estante, minha
atenção é dirigida a um grande livro vermelho e brilhante. O título...
"O estranho de olhos vermelhos." Isso é intimidador. Ainda mais a essa
hora... Ouço um pequeno barulho de grama se mexendo atrás de mim. O que
mais seria ? Meu coelho, Bola de Neve, se virando enquanto dorme. Não
sou só eu que estou com problemas pra isso... Ao lado, um baú cheio com
as minhas memórias.
Eu paro por um tempo. Uma sensação de arrepio toma conta do meu corpo.
– O quarto ficou tão
frio de repente... -Algo como uma respiração invade meus ouvidos. Penso
ser uma brisa, mas acho melhor eu não saber o que é.- Eu estou um pouco
assustada... Melhor eu voltar para minha cama. -Eu não levanto minha
cabeça em nenhum segundo. Caminho até minha cama lentamente, ainda
assustada- Boa noite.
Me deito e fecho meus
olhos devagar. O relógio continua a interromper o silêncio do meu
quarto. Até que finalmente adormeço. Um sonho, um doce sonho vem em
minha cabeça. Uma lembrança. Uma das melhores que tenho.
Flashback ON
– Na na, na na na... Na
na, na na na. -Continuo a cantarolar a melodia no mesmo ritmo calmo e
sereno. A melodia vai no ritmo da minha imaginação. O ritmo invade meus
pensamentos, e minha voz lê esses pensamentos.-
– Você canta muito bem,
Aya. -Meu pai está prestando atenção em mim ? Estranho. Ele parece tão
concentrado mexendo com todas aquelas flores que eu colhi... Minha
curiosidade tomou conta de mim.-
– Pai, você pode olhar
para este lado ? -Eu não poderia ficar quieta. .Não por muito tempo. Ele
dá mais atenção para umas flores do que para sua própria filha.
Estranho mesmo. Eu nunca consigo brincar com ele, e quando consigo ele
vai prestar atenção em flores ?-
– Dê-me um momento. -Ele
diz, entusiasmado. Eu me sento virada para a direção contrária a dele.
Ou seja, sento-me de costas para ele.- É só colocar isso aqui... Está
pronto! -Ele coloca algo em minha cabeça. Eu passo a mão para sentir o
que é.-
– Uma coroa de flores ?
-Eu deveria morrer. Estou aqui pensando que ele não quer me dar atenção,
e ele estava fazendo algo para mim.- I-Isso fica bem em mim ? -Eu olho
pra cima, para tentar ver a coroa de flores. Isso seria meio impossível,
já que ela está sobre a minha cabeça.-
– Sim, eu acho que isso
serve tão bem... -Ele estava feliz. Acho que porque eu gostei da coroa
de flores. Mas é claro. Eu sempre venho ao jardim para brincar com Bola
de Neve, e meu pai sabe disso. Eu estou acostumada com estas flores,
mesmo que as pétalas façam cocegas em meu nariz.-
– Yaaaay. -Eu começo a
rodopiar feito um carrossel. E a pular enquanto rodopio. Pensando bem,
um carrossel é mais devagar.- Obrigada, papai. -Meus olhos realmente se
fecham enquanto eu sorrio. E só agora eu fui perceber isso.-
– Me desculpe por eu não
poder brincar sempre com você.... -Ele sempre fica no laboratório. É
bem raro ele vir brincar comigo. Mas quando brinca, eu me divirto tanto,
que parece compensar o tempo que ele fica longe de mim.-
– Papai, está tudo bem.
Eu estou feliz por ter brincado com você hoje. -Ouço passos na grama.
Decido olhar na direção em que eles vem. Para a minha surpresa...-
– Ah, vocês dois estão
brincando ? -Finalmente. Eu me diverti tanto que até me esqueci que
minha mãe poderia ter participado. Mas foi divertido de qualquer jeito.-
– Mamãe. -Eu vou
correndo até ela mostrar o meu novo presente. Sinto orgulho dele.
Afinal, foi meu pai quem o fez para mim.- Olhe! O papai me fez uma coroa
de flores! -Meu pai nos observava de longe e sorrindo.-
– Isso é maravilhoso. E
fica bem em você, Aya. -Minha mãe também acha que flores combinam
comigo. Estranho, porém legal.- Então, você brincou com ele o dia
inteiro ?
– Sim, mamãe. -Eu me
viro e corro até meu pai. Estou tão feliz que poderia correr mais
rápido. Mais rápido que... um carrossel.- Nós deveríamos fazer isso
outra vez, papai.
– Sim, nós poderíamos.
Da próxima vez, sua mãe poderia participar também. -Meu pai leu meus
pensamentos. Eu amava quando meu pai e minha mãe me levavam para brincar
no parque. Nós três nos divertíamos muito juntos. E agora, meu pai quer
que façamos isso outra vez. Tenho que admitir, eu também quero. E quero
muito.-
– Bem, eu vou tentar...
-Minha mãe está sorrindo timidamente para o meu pai. E eu, sorrindo para
ele também.- Cough! Hack! -Minha mãe começa a tossir. Está engasgada
com algo, ou deve ser uma secura na garganta.-
– Mamãe. -Eu fui até
ela, rapidamente. Estou preocupada com ela. Não quero que nada aconteça
com ela. Meu pai também parece preocupado. Ele se levantou assim que
minha mãe começou a tossir.-
– M-Me desculpe...
Apenas outro ataque. -Ela está se desculpando por tossir... Qual a
lógica disso ?- Hack! Wheeze! -A tosse está piorando. Ela está
engasgando enquanto tenta tossir...-
– Não se culpe, Monika.
Você não tem culpa disso acontecer. -Meu pai chamou minha mãe pelo nome
dela. Monika Drevis... Ele quase nunca chama ela assim. Eu estou
acostumada a ver ele falando com ela normalmente, mas ele NUNCA chama
ela pelo nome.- Venha. Vamos pegar alguma medicina da Maria. Isso vai te
ajudar a ficar melhor.
– Não. -Porque minha mãe
recusaria medicina ? Ela está precisando. E a Maria sabe muito bem como
cuidar de alguém. Ela é uma ótima aprendiz de doutora. Pelo menos,
quando ela cuidou de mim, cuidou muito bem. Claro, isso não quer dizer
que eu goste dela.- Eu posso pegar isso sozinha.
– Mamãe, você está machucada ? Quero dizer... Você está bem, não é ?
– Está tudo bem, Aya.
Não fique assim, por favor. -Ela sorria timidamente enquanto me dava
leves carinhos na cabeça. Isso é o que eu gosto nela. Ela parece tão
frágil e desprotegida, mas ela é tão forte e protetora...- Aya, o seu
sorriso me deixa melhor do que tudo. E, se eu não posso te ver sorrindo,
eu fico preocupada. Então, não se preocupe comigo. Eu quero te ver
sorrindo.
– Mamãe... -Eu sou mesmo tão importante assim pra ela ?- Tudo bem.
– Ótimo. Agora, vamos
para o jantar. Eu fiz hambúrguer. Os seus favoritos. -Haha. Minha mãe
sabe mesmo como me agradar. Afinal, ninguém melhor pra fazer uma criança
feliz, do que a própria mãe.-
– Eba! Eu amo os seus hambúrgueres, mamãe.
– É claro. Os
hambúrgueres dela são os melhores do mundo. -Meu pai se aproximou e me
fez outro carinho na cabeça. Eu adoro isso. Me faz bem.-
Flashback OFF
Estávamos tão
felizes. Havíamos Maria, mas... Ainda assim, nós três eramos uma família
feliz. Mas depois minha mãe faleceu de doença... E a felicidade que eu
tinha, bem...
O relógio... A décima
segunda badalada. Logo depois dela, um grito interrompe meus
pensamentos. Eu levanto assustada. Desesperada. Aqui não foi parte do
sonho. O grito foi real.
– Esse grito... Papai ?
-Eu me sentei a beira da cama e logo me levantei.- Algo deve ter
acontecido. Eu vou verificar meu pai. -Eu caminho rápido, até chegar a
porta de meu quarto. Dou um longo suspiro, tentando tomar coragem para o
que esta por vir.- Eu tenho um mal pressentimento...
Capitulo 1 - My most precious...
Norte da Alemanha
Residência dos Drevis
–Visão de Aya Drevis-
Eu bati na porta três
vezes e não colocando muita força. Eu estava insegura. Já estava
assustada antes de estar ali, na frente daquela porta. Mas eu não
saberia como ele iria reagir, se eu não tentasse falar com ele.
– Pai... -Meu tom de voz era baixo. Não queria falar alto para não incomodá-lo. Não quero que ele se zangue comigo.-
Aqui é muito escuro.
Como meu pai pode ficar em um lugar desses ? Mesmo com os castiçais na
parede, aqui me dá calafrios. Eu não tive resposta, então, respirei
fundo e bati na porta mais três vezes. Tomei coragem para falar outra
vez, mas mantendo o mesmo tom baixo e rouco, que minha voz costuma ter
naturalmente. Mas desta vez, eu falei com um pouco mais de firmeza e
confiança.
– Pai, você está aí ? -A
porta que estava a minha frente se abriu. Eu me afastei. Não sabia
direito como reagir, nem o que falar. Nem mesmo sabia pra que lado
olhar. Espero que ele não se zangue comigo...- Pai!
– Aya! Quantas vezes vou
ter que te dizer para não descer aqui ? -Esse é o meu pai. Alfred
Drevis. Alto, cabelos castanhos... Como ele usa óculos, eu nunca reparei
muito bem na cor de seus olhos. Eu quase nunca passo um tempo com ele.
Ele está do mesmo jeito de sempre. Com a mesma máscara, as mesmas
roupas... Ele passa a maior parte do tempo aqui.-
– Me desculpe, pai...
Mas... um... Estou com tanto medo de dormir sozinha... -Eu estava
fitando o chão, com uma expressão de arrependimento. Que tola que eu
sou... Claro que meu pai iria se zangar comigo se eu viesse aqui. Ainda
mais por um motivo desses. Mas a culpa não é minha.-
– Aya... -Meu pai se
ajoelhou a minha frente. Mesmo ajoelhado, ele ainda é maior do que eu.
Eu ainda fitava o chão. Não tinha coragem de encará-lo.– Não se
preocupe. Você nunca está sozinha. Sua falecida mãe está sempre ao seu
lado. Ela está sempre cuidando de você, Aya. -Ele levantou meu rosto.
Acho que quando eu não o encarava, ele pensava que eu não estava
prestando atenção nele.- Está bem ? Agora, por favor vá para a cama.
– Sim, pai... -Eu dei um
sorriso de lado e virei o rosto. Estou feliz de que ele não tenha se
zangado comigo. Eu não quero vê-lo bravo, e muito menos triste. Não
quero ser motivo pra ele ficar assim.-
– Boa garota. -Ele fez
um carinho em minha cabeça, igual aos carinhos que eu sempre dava em meu
coelho, Bola de Neve. Eu sorri e comecei a ir embora. Não fui muito
longe. Eu voltei pra perto dele.-
– Pai, amanhã é...
– Sim, é o aniversário
da morte dela. -Ele começou a fitar o chão, com um sorriso de lado. Ele
não estava mais de joelhos, então eu tinha que olhar bem pra cima pra
olhá-lo nos olhos. Ele me deu outro carinho na cabeça.- Nós vamos
visitar o túmulo dela juntos.
– Está certo. -Eu
finalmente sorri espontaneamente. Meu pai sempre diz que meus olhos se
fecham quando eu sorrio. Eu imagino como eu fico em momentos como
esse...-
– Agora, volte para a cama, por favor. Eu vou estar descansando em breve.
– Está bem... -Ele sempre me diz isso, e eu continuo acreditando. Eu espero que seja verdade...-
Eu me virei e comecei a
ir em direção ao meu quarto. Como eu não ando muito rápido, eu pude
ouvir meu pai fechando a porta rapidamente. Eu parei ali onde estava. Eu
já sei o que vem depois disso... Me virei em direção a porta do
laboratório do meu pai. Como nada aconteceu, eu voltei a andar, mas
parei novamente.
– P-Pare! -Uma voz
desconhecida ecoava de dentro do laboratório do meu pai. Eu não me mexi
nem um centímetro dali. Vai ser igual as outras vezes ?- Nãao! WAAAAH!
-Definitivamente, vou fingir que não ouvi esses gritos. Um barulho de
serra-elétrica sendo ligada veio logo a seguir.- Me aude! AJUUUUDEEE!!!!
-Parece que a serra-elétrica entrou em contato com o que queria, afinal
de contas. O barulho da serra-elétrica foi ficando mais alto. Um último
grito, mais alto do que os outros. Parou de repente. Eu sai correndo
dali. Enquanto caminhava pela mansão, me perdia em meus pensamentos. Não
conseguia nem olhar fixamente para onde ia...-
Eu sei o segredo
do meu pai. Meu pai é um cientista. Ele ama pesquisas e está sempre
trancado dentro do laboratório no porão. E eu sempre ouço coisas do
laboratório dele... Animais e humanos gritando... Mesmo sendo jovem, eu
sabia o que meu pai estava fazendo. Então, eu fingi que não estava
olhando. Que eu não sabia ou ouvia nada. Fingi ignorância o tempo todo.
Porque eu amava meu pai. E esse não é o único segredo que eu sei. Quando
eu e minha mãe não estávamos perto, ele e sua ajudante...
–Visão de Alfred Drevis-
– Uma amostra bem...
-Não consegui terminar de falar. Maria iria dizer algo outra vez. Mas
que coisa. Eu odeio isso. Mas... Como foi por ela, não tenho porque me
zangar. Mesmo porque, ela é muito ingênua...-
– Eu vou dispor os
materiais restantes, Doutor. -Maria... Desde que ela veio pra essa casa,
eu tenho tido bem mais ajuda. Afinal, ela é minha ajudante. E ajudantes
ajudam... Ah, ela tem os olhos tão bonitos. Verde se tornou a minha cor
favorita...-
– Isso pode esperar. Venha, Maria. -Maria começou a me olhar do mesmo jeito ingênuo de quando a conheci.-
– Doutor... -A voz dela é
tão doce... Ela sorriu levemente e veio me abraçar.- Doutor... -Ela se
afastou um pouco de mim e começou a evitar me olhar nos olhos.- Ela está
consciente de nossa... relação.
– Hm ? O que isso
importa ? -Maria insiste em falar de Aya sempre que eu demonstro afeto
por ela. Eu não me importo com o que Aya pensa. Afinal, ela é uma
criança.-
– Eu não acredito que
ela gosta de mim. Esse é o problema. -Maria não consegue mesmo olhar pra
mim quando o assunto se resume a Aya, e a nossa "relação".-
– A garota terá onze
logo. É uma idade problemática, com certeza. -Eu voltei a abraçá-la. Ela
permaneceu imóvel por alguns segundos, e logo depois correspondeu ao
meu abraço.- Seja gentil em relação a ela, por favor. Certifique-se de
que ela nunca seja prejudicada. Ela é a minha mais preciosa... -Dessa
vez o relógio me interrompeu. Senti uma breve respiração atrás de bem.
Bem perto de mim, para falar a verdade.
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