sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Capítulo 3 I have to save my father.

Visão de Aya Drevis-
Eu abri a porta com cuidado. Não sabia o que tinha acontecido. Eu estava mesmo com um mal pressentimento e sinto que estava certa em estar. Um grito a meia noite. Isso nunca é bom, não é? E o fato de não ser bom, é ruim. E se é ruim, quer dizer que não é bom... Eu ouvi um som um pouco estranho ao fim do corredor. Estava chegando perto , manchas de sangue começaram a surgir do nada e então eu os vi. Eram zumbis com seus corpos despedaçados.-
Fui levada até o fim do corredor pela minha curiosidade. Quando fiz a curva para a ala da mansão que leva ao sótão, vi alguém. Um garoto louro, encostado na parede. Não sabia se ficava encantada, ou indecisa. Nunca tinha visto aquele garoto, assim como nunca tinha visto aqueles zumbis. Ele poderia ser um deles ? Não, ele é bonito demais pra isso... -Pra uma criança de dez anos, eu estou sendo bem ~interesseira~.-
– Quem é você ? -Minha vontade naquele momento era de me agarrar em algo ou alguém que parecesse ou fosse humano. Mas, isso seria muito... inadequado, eu acho. Mas quem se importa, não é ? Há zumbis no fim do corredor ali atrás, e estou aqui a frente de um suposto humano. Quem liga pra educação nessas horas ?-
– Por aqui. -Ele estava calmo. Falava com suavidade. Ele não deve saber que há monstros aqui. E se souber, deve ter algum meio de se manter protegido. E é isso o que eu quero. Quero ficar protegida. Quero que me protejam. Eu sou tão frágil que se um monstro daqueles respirar perto de mim, eu ~quebro~.-
– Quem... ? -Eu ainda insistia. Nem me importava se os zumbis estavam perto ou não. Se ele fosse capaz de me acalmar ou de me proteger (ou as duas coisas) já bastaria pra mim.-
– Fique comigo. -Ele sabe como convencer alguém. Aquilo foi o suficiente para me acalmar. Eu permaneci no mesmo lugar, apenas olhando-o e vendo de não havia nada suspeito nele.- Eu disse, por aqui. -Ele se virou completamente pra mim. Finalmente achei algo suspeito nele! Não era humano mesmo. Ele não tinha um dos olhos, e uma parte de seu rosto estava desgastada. Eu não havia percebido isso antes, já que ele estava encostado na parede e só era possível ver o seu lado direito.-
Eu corri de volta para o corredor anterior. PÉE! Uma sirene vermelha deveria aparecer na minha cabeça de tão idiota que foi essa ideia... Eu me esqueci dos zumbis... Eu consegui desviar dos zumbis e entrar no meu quarto, mas ele não estava vazio.
– Interessantes esses livros neste quarto... -Era um homem alto, de terno e chapéu. Estava de costas para mim, olhando aqueles livros que estavam em minhas estantes. Ele se virou para mim, para que eu pudesse ver que ele era humano. Ele estava com aquele livro grande e vermelho nas mãos, cheio de brilhantes. Como era mesmo o nome ? Ah, claro. "O estranho de olhos vermelhos."- Você gosta de livros, minha querida ?
– Quem é você ? -Essa pergunta nunca dá certo. Não sei porque ainda uso-a. Minha vontade era de bater a cabeça na parede, cair no chão, rolar e gritar : QUE DROGA ESTÁ ACONTECENDO AQUI ? -
– Agora, não seja tão agressiva, tudo bem ? Eu sou apenas um mero vendedor. -ISSO EXPLICA TUDO! É super normal você entrar no seu quarto quando sua mansão está sendo atacada por zumbis, e tem um vendedor no teu quarto. Nossa... -
– Vendedor... ? -Não sei se devo acreditar nele. Eu achava que poderia confiar no garoto louro lá atrás, e puft! Quando você achar que está tudo bem, desconfie. Porque se você se sente seguro, algo estará errado. O tal vendedor retirou se chapéu, e se curvou diante de mim.-
– Pode me chamar de Ogre. Eu espero chegar a conhecer você, jovem dama. -Ele tem a educação de um lorde inglês, devo admitir. Zumbis podem até saber falar, mas duvido que sejam educados.- Mas vai ser muito problemático... E pensar que há cadáveres andando lentamente pela casa toda.
– Cadáveres ? Aqueles monstros lá atrás ? -É impressionante. Eu estou mesmo conversando sobre isto com este estranho ? Quero dizer, só o fato de ter zumbis andando pela minha casa já é estranho...- Eles parecem monstros de uma história... Por que monstros assim? -Porque ainda estou fazendo perguntas ? Duvido que ele saiba de alguma coisa...-
– Bem, é uma maldição. -É. Ele SABE de alguma coisa. Parece saber de tudo. Agora que eu parei pra prestar atenção de verdade ao que ele dizia. Chegando mais perto, pude ver que este estranho tem olhos vermelhos.– O que você viu foram os cadáveres dos cobaias do seu pai. Com muita raiva, falecidos foram trazidos de volta pelo poder, de uma maldição. -Ele falava sorrindo, e com calma. Mais calmo até do que aquele louro lá atrás.- Para se vingarem de seu pai... é claro. -Ele deu uma risada quando acabou de falar. Não entendo. O que há de engraçado nisso ?-
– O que ? Então meu pai está em perigo ? Eu tenho que salvá-lo. -Eu me virei em direção a porta, mas ele começou a falar novamente. Que coisa!-
– Porque isso ? -O motivo de ele ser o meu pai não é o suficiente, caro vendedor?- Para realizar seus desejos, seu pai matou muitas pessoas com seus experimentos. Essa... é apenas a sua retribuição. -Ele falava tudo com um sorriso em seu rosto... Ah, se eu não fosse tão baixinha comparada a ele... !!- Mesmo assim, você ainda quer salvá-lo ?
Eu não disse nada, apenas respirei fundo, levantei a cabeça e fui em direção a porta. Abri a mesma, tentando me convencer que aquelas criaturas não estavam mais lá. Para a minha sorte, não estavam mesmo. Eu pude sair, e ainda fechei a porta para aquele homem não me seguir. Eu parei logo que fechei a porta, e encostei uma de minhas orelhas a porta, para ver se conseguia desvendar o que se passara na cabeça daquele vendedor.
– Meu... Meu... -Ele suspirou alto. Acho que sabia que eu estava ouvindo.- Bem, acho que ela ainda não é capaz de entender a tristeza deles. -Ele estava falando em um tom alto e claro. Então, ele sabia que eu estava ouvindo.-

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